Xen Server Tools

Uma ferramenta importante para uso ao virtualizarmos usando o Citrix Xen Server são as XenServer Tools, que ampliam o gerenciamento do servidor facilitando a visualização das principais configurações das VMs e os recursos disponíveis em cada máquina. A instalação deste complemento em uma VM rodando Windows é bastante simples, nesse artigo vou me ater a instalação dessa ferramenta em uma VM Linux, então mãos à obra.

A partir do Citrix Xen Center click no link em azul XenServer Tools not installed, você vai ser questionado se quer instalar a ferramenta, após clicar em instalar será redirecionado para a aba do console, como root entre com os comandos para montar a partição:

root@ubuntu:~# cd /mnt
root@ubuntu:/mnt#
root@ubuntu:/mnt# mkdir xs-tools
root@ubuntu:/mnt]# mount /dev/xvdd /mnt/xs-tools/

dentro do diretório montado navegue até a pasta indicada e rode o script:

root@ubuntu:/mnt]# cd /mnt/xs-tools/Linux/
root@ubuntu:/mnt/xs-tools/Linux# bash install.sh

Detected `Ubuntu 10.04.4 LTS’ (ubuntu version 10).

The following changes will be made to this Virtual Machine:
* update arp_notify sysctl.conf.
* packages to be installed/upgraded:
– xe-guest-utilities_6.0.0-743_amd64.deb

Continue? [y/n]

Selecting previously deselected package xe-guest-utilities.
(Reading database … 46538 files and directories currently installed.)
Unpacking xe-guest-utilities (from …/xe-guest-utilities_6.0.0-743_amd64.deb) …
Setting up xe-guest-utilities (6.0.0-743) …
Mounting xenfs on /proc/xen: OK
Detecting Linux distribution version: OK
Starting xe daemon: OK

Processing triggers for ureadahead …
ureadahead will be reprofiled on next reboot

You should now reboot this Virtual Machine.

Instalação realizada, basta reiniciar a máquina para que as novas configurações sejam aplicadas, desde agora você já pode acompanhar a ferramenta em uso através do Xen Center.

 
https://saythanks.io/to/euclidespaim
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Criar um repositório (SR) tipo NFS!

Utilizar a virtualização para consolidação de servidores é uma tendência irreversível, principalmente em pequenas e médias empresas onde os recursos financeiros para aquisição de equipamentos são escassos. Existem várias soluções atualmente no mercado para colocar em prática a ideia de virtualização. Falando em virtualização de servidores em Xen uma das boas práticas é a criação de uma biblioteca de imagens ISO para instalação das máquinas virtuais que vão ser utilizadas. Para tanto vamos precisar de uma VM que vai hospedar o Storage, nesse ponto é bom salientar que o storage não pode ser startado no sistema base e se faz necessária a criação de uma VM linux.

Com a máquina virtual devidamente criada e atualizada precisamos instalar o NFS (Network File System) propriamente dito a partir do comando:

$ sudo apt-get install nfs-kernel-server 

feito isso vamos criar um diretório para receber as ISOs…

$ sudo mkdir /home/storage/ISO

agora vamos configurar o arquivo exports com o endereço IP da VM com o editor de texto de sua preferência adicionando as seguintes linhas dessa forma:

$ sudo joe /etc/exports

/home/storage   192.168.1.*(rw,async,subtree_check,no_root_squash)

agora basta reiniciar o daemon do NFS e pronto seu SR já está funcionando e disponível para uso!

$ sudo /etc/init.d/nfs-kernel-server restart

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Salvando regras do Iptables!

Depois de devidamente criadas as regras do iptables é recomendável que as mesmas sejam enviadas para um arquivo a fim de facilitar a visualização destas e a administração do seu firewall e obviamente não ter de digita-las novamente toda vez que reiniciar a sua máquina. Para tanto utiliza-se o comando iptables-save.

iptables-save > /etc/iptables.rules

onde “iptables.rules” pode ser substituído por qualquer nome de arquivo desejado. Ao serem realizadas alterações diretamente nesse arquivo as mesmas podem ser aplicadas em tempo real no seu firewall através do comando iptables-restore, dessa forma:

iptables-restore < /etc/iptables.rules

esses dois comandos facilitam em muito a vida de quem administra um linux firewall!!

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Autômatos – Definições e Conceitos Gerais

Euclides Palma Paim
Escola Politécnica de Computação Aplicada
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos
São Leopoldo, Brasil
euclidespaim@gmail.com

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Abstract—This document is a short explanation of automata
theory, presents concepts about the theory of computation,
abroad formal definitions of deterministic and nondeterministic
automaton and illustrate a practical example of modeling that
uses a finite automata. This paper describes a hypothetical
implementation of a system cash machine and its operations.
Keywords—automata; finite state machines; theory of
computation

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I. INTRODUÇÃO
Teoria dos autômatos é um ramo da ciência da computação
que estabeleceu suas raízes durante o século passado quando
matemáticos desenvolveram tanto teórica como literalmente
máquinas que imitavam certas características humanas
realizando cálculos mais rápidos e precisos. A palavra
autômato esta intrinsicamente ligada com a palavra automação
e indica execução automática de processos específicos
relacionados à produção. Em outras palavras, a teoria dos
autômatos lida com a lógica computacional de máquinas,
conhecidas como autômatos. Através dos autômatos cientistas
da computação são capazes de compreender como máquinas
computam informações e resolvem problemas ou como uma
função pode ser definida como computável ou dedutível.
A teoria dos autômatos é o estudo de máquinas abstratas e
autômatas e como os problemas computacionais podem ser
mais bem resolvidos combinando o uso de diferentes tipos de
modelos computacionais, representa de forma finita uma
linguagem formal que pode ser um conjunto infinito [5].

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II. TEORIA DOS AUTÔMATOS
A. Obejtivos
O objetivo maior da teoria dos autômatos é desenvolver
métodos pelos quais cientistas de computadores podem
descrever e analisar de forma dinâmica o comportamento de
sistemas discretos, nos quais sinais são periodicamente
exibidos. O comportamento desses sistemas discretos é
determinado pela maneira que o sistema é construído para
armazenamento e combinação de elementos. Algumas
características dessas máquinas incluem: entradas, saídas e
estados. Entradas podem ser definidas como sequências de
símbolos selecionadas de um conjunto / finito. A saber,
conjunto / é o conjunto de {x1, x2, x3… xk} onde k é o número
de entradas. Saídas são sequências de símbolos selecionadas de
um conjunto infinito Z. A saber, conjunto Z é o conjunto de
{y1, y2, y3… ym} onde m é o numero de saídas. E estados um
conjunto finito Q no qual a definição depende do tipo de
automação.

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B. Principais Autômatos
Há quatro grandes famílias de autômatos:

  • Máquina de estado finito.
  • Autômatos de pilha.
  • Autômatos com memória linear.
  • Máquina de Turing.

As famílias de autômatos acima podem ser interpretadas de
uma forma hierárquica, onde a máquina de estado finito é o
autômato mais simples e a máquina de Turing o mais
complexo. Uma máquina de Turing é uma máquina de estado
finito ainda que o inverso não seja verdadeiro.

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III. DEFINIÇÃO
Um autômato finito tem algumas partes descritas a seguir.
Ele tem um conjunto de estados e regras para ir de um estado a
outro, dependendo dos símbolos de entrada. Tem um alfabeto
de entrada que indica os símbolos permitidos. Tem um estado
inicial e um conjunto de estados aceitos. A definição formal diz
que um autômato finito é uma lista de cinco objetos: conjunto
de estados, alfabeto de entrada, regras de movimento, estado
inicial e estados aceitos. Em linguagem matemática essa lista é
frequentemente chamada de 5-tuple. Assim definimos
autômatos finitos como uma tupla contendo essas cinco partes.

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A. Autômato Finito
Um autômato é representado formalmente por uma tupla
quíntupla (Q, Σ, δ, q
0, F), onde:

  • Q é um conjunto finito de estados.
  • Σ é um conjunto finito de símbolos, chamado de
    alfabeto do autômato.
  • δ é a função de transição, isto é, δ: Q x Σ → Q.
  • q0 é o estado inicial, do autômato antes de qualquer
    entrada ser processada, onde q0 ∈ Q.
  • F é um conjunto de estados de Q (isto é, F ⊆ Q)
    chamado de estados de aceitação [3].

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B. Autômato Finito Determinístico
Um autômato finito determinístico AFD ou máquina de
estados finita determinística é aquela que se encontra em um
único estado depois de ler uma sequência aleatória de entradas,
ou seja, para cada entrada existe somente um estado para o qual
o autômato pode se deslocar partindo do estado atual. Isso quer
dizer que a função de transição realiza o mapeamento de um
par composto por estado e símbolo para um único estado.
Deste modo cada palavra da entrada será sempre associada a
um único estado final como mostra a Fig.1.
autonomo_finito

Fig. 1. Exemplo de Autômato finito determinístico.
Um autômato finito determinístico pode ser definido
formalmente como uma tupla quíntupla (Q, Σ, δ, q0, F) onde:

  • Q é um conjunto finito de estados.
  • Σ um conjunto finito de símbolos de entrada chamado
    Alfabeto.
  • δ é uma função de transição δ: Q × Σ → Q.
  • q0 é um estado inicial onde q0 ∈ Q.
  • F é um conjunto de estados de aceitação (F ⊆ Q)

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C. Autômato Finito Não-Determinístico
O não determinismo é um conceito útil que tem tido grande
impacto na teoria da computação [3]. Nem sempre a função de
transição de um autômato finito realiza o mapeamento de um
par composto por estado e símbolo para um único estado. Um
autômato finito não determinístico AFND é definido como uma
máquina de estados finita onde para cada entrada existem
diversos estados para os quais o autômato poderá se deslocar
partindo do estado atual. Possibilitando desse modo que cada
palavra de entrada possa ser associada a diversos estados finais.

autonomo_finito_ndetermin
Fig. 2. Exemplo de autômato finito não determinístico.

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Um autômato finito não determinístico pode ser definido
formalmente como uma tupla quíntupla (Q, Σ, δ, q0, F) onde:

  • Q é um conjunto finito de estados.
  • Σ um conjunto finito de símbolos de entrada chamado Alfabeto.
  • δ é uma função de transição δ: Q × Σ → Q.
  • q0 é um conjunto de estados iniciais onde q0 ∈ Q.
  • F é um conjunto de estados de aceitação (F ⊆ Q) [3].

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D. Equivalência entre autômatos finitos
Autômatos finitos determinísticos ou não determinísticos
reconhecem as mesmas classes de linguagens [1]. Um
autômato finito não determinístico pode ser transformado em
um autômato finito determinístico que aceita a mesma
linguagem mas o número de estados do AFD pode ser
exponencial com relação ao AFND. Todo o autômato finito
não determinístico tem um equivalente autômato finito
determinístico.

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IV. EXEMPLO DE APLICAÇÃO
Como forma de exemplificar os estudos apresentados até
aqui, nas seções seguintes serão descritas as etapas da
modelagem de um sistema hipotético de caixa eletrônico. Por
simplificação a máquina modelada suprimiu alguns estados
existentes em sistemas de dispensação convencionais.

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A. Alfabeto de entrada
Este conjunto de símbolos está associado a cada uma das
possíveis transições entre os estados existentes onde:
Σ= {cm, ck, si, ci, cs, sq, sa, ex, df, np, sf, rc, fi}
A tabela I descreve as transições correspondentes a cada um
dos símbolos deste conjunto.

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tabela_i

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B. Conjunto de estados possíveis
Este conjunto descreve os estados possíveis que a máquina
pode assumir à medida que o usuário realiza transações e é
definido como:
Q= {q0, q1, q2, q3, q4, q5, q6}
A tabela II descreve os estados para cada um dos símbolos
desse conjunto.
.

tabela_ii
C. Estágios passo a passo
Os estágios do autômato finito determinístico proposto para
solucionar o problema são descritos a seguir:
1) O estado q0 é o estado inicial e a máquina encontra-se
aguardando a ação do usuário, nesse estado é verificado se o
cartão está ok (ck) ou não (cm).
2) No estado q1 o usuário já inseriu o cartão e a máquina
aguarda a entrada correspondente a senha e conta corrente.
Se senha incorreta (si) ou conta incorreta (ci) o autômato
permanece nesse estado.
3) O próximo estado é o estado q2 neste ponto o usuário
deverá escolher a operação a ser realizada sendo elas: saldo
(sa), extrato (ex), saque (sq), ou encerrar a operação (fi).
Para cada ação o autômato avançará ao estado
correspondente, q3, q4, q5 ou q6 respectivamente.
4) O estado q3 exibe o saldo do cliente, se uma nova
operação (np) quer ser realizada ou autômato retorna ao
estado q2, se um saque (sq) vai ser realizado o autômato
avança para o estado q5 ou ainda finaliza a operação (fi) indo
ao estado q6.
5) O estado q4 aguarda a data para informar o extrato ao
cliente, a partir desse estado ele pode avançar ao estado q5
saque (sq), retornar ao estado q2, para uma nova operação
(np), permanecer nesse estado caso a data informada esteja
incorreta (df) ou avançar até o estado q6 finalizando (fi).
6) O estado q5 aguarda o valor para saque, caso valor esteja
fora dos limites (sf) ele continua nesse estado; retorna ao q2
para nova operação (np) ou avança para o estado final q6,
7) q6 é o estado final onde o cliente deve retirar o cartão (rc)
para finalizar a operação.

atm-system
Fig.3. Diagrama de transições do sistema.

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CONCLUSÃO
Nesse artigo foram descritos os conceitos formais de
autômatos finitos determinísticos e não determinísticos e logo a
seguir foram abordadas as etapas de implementação de um
autômato finito determinístico para solucionar um problema
hipotético relacionado ao funcionamento de um sistema de
caixa eletrônico.

.
REFERÊNCIAS
[1] J. E. Hopcroft e J. D. Ullman, Introduction to Automata Theory,
Languages, and Computation, 1st ed. Vol. 1. Addison-Wesley
Publishing, Reading Massachusetts, 1979. (ver capítulo 2).
[2] K. II Culik,. Variations of the Firing-Squad Problem and Aplications. 3
rd
ed. Vol. 30 Information Processing Letters, 1989 pp. 153-157.
[3] M. Sipser, Introduction to the Theory of Computation, 1st ed. vol. 1.
Boston: PWS Publishing Company, 1997, pp. 33-61.
[4] A. S. Bonifácio e Y. Maldonado, “Modelagem de uma Vending
Machine utilizando um Autômato Finito com Saída,” não publicado.
[5] E. Roberts, “Automata Theory,” Sophomore College Class
http://cs.stanford.edu/people/eroberts/courses/soco/projects/2004-05/automata-theory/refs.html (current Dec. 5, 2004).
[6] Jflap, Durhan, NC, Inglaterra. Duke University. (2009) [Online].
Disponível :http://www.jflap.org/, 2009, Accessado em: Sep. 01, 2015.

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Guerra no espaço pode estar mais perto que nunca

Embora neguem, China, Rússia e Estados Unidos estão desenvolvendo e testando novas e controvertidas tecnologias para travar guerras espaciais

The USS Lake Erie (CG 70) launches a Standard Missile-3 at a non-functioning National Reconnaissance Office satellite as it traveled in space at more than 17,000 mph over the Pacific Ocean on Feb. 20, 2008. The objective was to rupture the satellite's fuel tank to dissipate the approximately 1,000 pounds (453 kg) of hydrazine, a hazardous material which could pose a danger to people on earth, before it entered into earth's atmosphere. The USS Lake Erie is an Aegis guided missile cruiser. USS Decatur (DDG 73) and USS Russell (DDG 59) were also part of the task force. DoD photo by U.S. Navy. (Released)

The USS Lake Erie (CG 70) launches a Standard Missile-3 at a non-functioning National Reconnaissance Office satellite as it traveled in space at more than 17,000 mph over the Pacific Ocean on Feb. 20, 2008. The objective was to rupture the satellite’s fuel tank to dissipate the approximately 1,000 pounds (453 kg) of hydrazine, a hazardous material which could pose a danger to people on earth, before it entered into earth’s atmosphere. The USS Lake Erie is an Aegis guided missile cruiser. USS Decatur (DDG 73) and USS Russell (DDG 59) were also part of the task force. DoD photo by U.S. Navy. (Released)

Testes de mísseis antissatélites como este realizado pela Marinha dos Estados Unidos em fevereiro de 2008, fazem parte de uma preocupante marcha rumo a conflitos militares no espaço exterior.

 

O ponto crítico militar mais volátil e preocupante do mundo não está, indiscutivelmente, no Estreito de Taiwan, na Península da Coreia, no Irã, em Israel, na Caxemira ou na Ucrânia. De fato, ele não pode ser localizado em qualquer mapa da Terra, embora seja muito fácil de encontrar. Para vê-lo, basta olhar para cima, para um céu claro, para a “terra de ninguém” que é a órbita terrestre, onde está se desenrolando um conflito que é uma corrida armamentista em tudo, menos no nome. Talvez a vastidão do espaço exterior seja o último lugar em que se esperaria ver militares competindo por território disputado, exceto pelo fato de que o espaço exterior já não está mais tão vazio. Cerca de 1.300 satélites ativos circundam o globo em um congestionado traçado de órbitas, fornecendo meios de comunicação, navegação por GPS, previsão meteorológica e vigilância planetária. Para forças armadas que dependem de alguns desses satélites em guerras modernas, o espaço tornou-se a quintessência do “terreno elevado”, com os EUA como o rei indiscutível “no topo da colina”. Agora, à medida que China e Rússia procuram agressivamente desafiar a superioridade americana no espaço com ambiciosos programas espaciais militares próprios, a luta pelo poder corre o risco de precipitar um conflito que poderia prejudicar seriamente, se não paralisar, toda a infraestrutura espacial do planeta. E embora possa começar no espaço, uma confrontação desse tipo poderia deflagrar  facilmente uma guerra total na Terra. As tensões que vinham fervilhando há muito tempo agora estão se aproximando de um ponto de ebulição devido a vários acontecimentos, inclusive recentes e contínuos testes russos e chineses de possíveis armas antissatélites, assim como o fracasso, em julho, das conversações sob os auspícios das Nações Unidas para aliviar as tensões.

Em depoimento perante o Congresso no início do ano, James Clapper, diretor de Inteligência Nacional, ecoou as preocupações de muitas altas autoridades do governo sobre a crescente ameaça a satélites americanos, ao afirmar que tanto a China como a Rússia estão “desenvolvendo capacidades para negar acesso em um conflito”, como os que podem eclodir por causa das atividades militares de Pequim, no Mar da China meridional, ou de Moscou, na Ucrânia. A China, em particular, ressaltou Clapper, demonstrou “a necessidade de interferir com, danificar e destruir” satélites americanos, referindo-se a uma série de testes de mísseis antissatélites, que começaram em 2007. Há muitas maneiras de desativar ou destruir satélites além de explodi-los provocativamente com mísseis.

Uma nave espacial poderia simplesmente se aproximar de um satélite e lançar (borrifar) tinta em seus dispositivos ópticos, ou quebrar manualmente suas antenas de comunicação, ou ainda desestabilizar sua órbita. Lasers podem ser usados para desativar temporariamente ou danificar de forma permanente os componentes de um satélite, particularmente seus delicados sensores, e ondas de rádio ou micro-ondas podem bloquear ou sequestrar transmissões para ou de controladores em terra. Em resposta a essas possíveis ameaças, a administração Obama programou um orçamento de pelo menos US$ 5 bilhões a serem gastos nos próximos cinco anos para melhorar as capacidades defensivas e ofensivas do programa espacial militar do país. Os EUA também estão tentando resolver o problema por meio da diplomacia, embora com sucesso irrisório; no final de julho, na ONU, discussões há muito esperadas sobre um código de conduta para nações que exploram o espaço, redigido tentativamente pela União Europeia, empacaram devido à oposição da Rússia, China e de vários outros países, inclusive Brasil, Índia, África do Sul e Irã.

O fracasso colocou soluções diplomáticas para a crescente ameaça em um limbo, conduzindo, provavelmente, a muitos anos mais de debates no âmbito da Assembleia Geral da ONU. “O xis da questão é que os Estados Unidos não querem conflitos no espaço exterior”, resumiu Frank Rose, secretário-assistente de Estado para controle de armamentos, verificação e cumprimento das leis, que liderou os esforços diplomáticos americanos para impedir uma corrida armamentista espacial. Os Estados Unidos, declarou Rose, estão dispostos a trabalhar com a Rússia e a China para manter o espaço seguro. “Mas quero deixar muito claro: nós defenderemos nossos bens espaciais se formos atacados”.

 

Teste

A perspectiva de guerra no espaço não é nova. Temendo armas nucleares soviéticas lançadas da órbita terrestre, os EUA começaram a testar armamentos antissatélites no final da década de 50. Os americanos chegaram até a testar bombas nucleares no espaço antes que armas orbitais de destruição em massa foram proibidas através do Tratado do Espaço Exterior da ONU, em 1967. Após a proibição, a vigilância baseada no espaço tornou-se um componente crucial da Guerra Fria, com satélites servindo como uma parte importante de elaborados sistemas de alerta antecipado de prontidão para detectar o posicionamento ou lançamento de armas nucleares baseadas em terra. Durante a maior parte da Guerra Fria, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) desenvolveu e testou “minas espaciais”, naves espaciais autodetonantes que podiam procurar e destruir satélites espiões dos EUA ao bombardeá-los com estilhaços.

Na década de 80, a militarização espacial culminou com a multibilionária Iniciativa de Defesa Estratégica do governo de Ronald Reagan, apelidada “Guerra nas Estrelas”, para desenvolver medidas retaliatórias orbitais contra mísseis balísticos intercontinentais soviéticos. E, em 1985, a Força Aérea dos Estados Unidos fez uma clara demonstração de suas formidáveis capacidades, quando um caça F-15 lançou um míssil que destruiu um satélite falho americano na baixa órbita da Terra. Durante tudo isso, não ocorreu uma corrida armamentista desenfreada e total, nem foram deflagrados conflitos diretos. De acordo com Michael Krepon, perito em controle de armas e cofundador do think tank Centro Stimson, na capital Washington, isso se deveu ao fato de que tanto os EUA com a URSS perceberam o quanto seus satélites eram vulneráveis, especialmente os que encontravam em órbitas geossincrônicas (ou geoestacionárias), de aproximadamente 35 mil quilômetros ou mais.

Esses satélites efetivamente pairam acima de um ponto no planeta, tornando-os alvos muito fáceis. Mas como qualquer ação hostil contra esses satélites poderia escalar facilmente para uma troca nuclear aberta na Terra, as duas superpotências recuaram. “Nenhum de nós assinou um tratado sobre isso”, observa Krepon. “Simplesmente chegamos independentemente à conclusão de que nossa segurança estaria mais ameaçada se fossemos atrás desses satélites, porque se um de nós fizesse isso, então o outro também faria”.

Hoje, a situação é muito mais complicada. Órbitas terrestres baixas e altas tornaram-se incubadoras de atividade científica e comercial, repletas de centenas e centenas de satélites de cerca de 60 nações diferentes. Apesar de seus propósitos majoritariamente pacíficos, todos os satélites, sem exceção, estão em risco, em parte porque nem todos os membros do crescente clube de potências militares espaciais estão dispostos a agir de acordo com as mesmas regras, e nem precisam fazer isso, porque até agora elas ainda não foram escritas.

 

Lixo espacial

Satélites se deslocam pelo espaço a velocidades muito altas; portanto, o jeito mais rápido e sujo de “matar” um deles é simplesmente lançar alguma coisa ao espaço para obstruir seu caminho. Até o impacto de um objeto tão pequeno e rudimentar quanto uma bolinha de gude pode desativar ou destruir inteiramente um satélite de um bilhão de dólares. E se uma nação empregar um método “cinético” desses para destruir o satélite de um adversário, ela pode facilmente criar detritos ainda mais perigosos, potencialmente originando uma reação em cadeia que transformará a órbita terrestre em palco de uma absurda corrida de demolição. Em 2007, os riscos de detritos aumentaram drasticamente quando a China lançou um míssil que destruiu um de seus próprios satélites meteorológicos na baixa órbita terrestre.

Aquele teste gerou um “enxame” de estilhaços de longa vida que constitui quase um sexto de todos os detritos rastreáveis por radar em órbita. Os EUA responderam na mesma moeda em 2008, ao redirecionarem um míssil antibalístico lançado de um navio para abater um satélite militar avariado pouco antes de ele cair na atmosfera. Essa medida também produziu lixo perigoso, embora em quantidades menores, e os detritos tiveram vida mais curta porque foram gerados a uma altitude muito mais baixa. Mais recentemente, a China lançou o que muitos especialistas dizem ser testes adicionais de armas cinéticas antissatélites baseadas em terra. Nenhum desses novos lançamentos destruiu satélites, mas Krepon e outros peritos afirmam que isso é porque os chineses agora só estão testando para errar o alvo, em vez de atingi-lo, com a mesma capacidade hostil como resultado final.

O último desses episódios aconteceu em 23 de julho do ano passado. As autoridades chinesas insistem que a única finalidade dos ensaios é defesa antimíssil pacífica e experimentação científica. Mas um teste, realizado em maio de 2013, lançou um projétil desses a uma altitude de 30 mil km acima da Terra, aproximando-se do “santuário” de satélites geossincrônicos estratégicos. Aquilo foi um chamado de alerta, admite Brian Weeden, analista de segurança e ex-oficial da Força Aérea que estudou e ajudou a divulgar o teste chinês. “Os Estados Unidos aceitaram há décadas o fato de que seus satélites de baixa órbita poderiam ser abatidos facilmente”, diz ele. “Mas quase atingir [a órbita geossincrôncica] fez as pessoas entenderem que, nossa!, alguém realmente poderia tentar ir atrás das coisas que temos lá em cima”.

Não foi coincidência que pouco depois de maio de 2013, os EUA liberaram a divulgação de detalhes de seu programa ultrassecreto Consciência Situacional do Espaço Geossincrônico (GSSAP), um planejado conjunto de quatro satélites capaz de monitorar as altas órbitas da Terra e até se encontrar com outros satélites para inspecioná-los de perto. Os dois primeiros GSSAPs foram lançados à órbita em julho de 2014. “Este costumava ser um [chamado] ‘programa preto’, algo que oficialmente nem existia”, explica Weeden. “Ele basicamente foi oficializado (liberado para divulgação) para enviar uma mensagem dizendo: ‘Ei, se você estiver fazendo algo suspeito dentro e ao redor do cinturão geossincrônico, nós veremos’”.

Um intruso na órbita geossincrônica não precisa ser um míssil com uma ogiva (ponta) cheia de explosivos para ser um risco de segurança, mesmo aproximar-se ou se encostar em satélites estratégicos de um adversário é considerado uma ameaça. Esta é uma das razões por que potenciais adversários dos Estados Unidos podem estar alarmados com as capacidades de rendezvous (encontros) dos satélites GSSAP e dos aviões espaciais robóticos altamente manobráveis X-37B da Força Aérea americana. A Rússia também está desenvolvendo sua própria capacidade de abordar, inspecionar e potencialmente sabotar ou destruir satélites em órbita. Nos últimos dois anos, o país incluiu três misteriosas cargas em lançamentos de outra forma rotineiros de satélites comerciais, sendo que o último ocorreu em março deste ano.

Observações de radar feitas pela Força Aérea americana e por entusiastas amadores revelaram que depois que cada um desses satélites foi posicionado, um pequeno objeto adicional voava para bem longe do foguete arremessado, só para depois dar meia volta e voltar. Os objetos, apelidados Kosmos-2491, K-2499 e K-2504, podem ser apenas parte de um programa inofensivo para o desenvolvimento de técnicas para fazer a manutenção e reabastecer satélites velhos, argumenta Weeden, embora também possam ser destinados a propósitos mais sinistros.

Tratados oferecem poucas garantias

Autoridades chinesas sustentam que suas atividades militares no espaço são simplesmente experimentos científicos pacíficos, enquanto as autoridades russas em geral têm se mantido em silêncio na maior parte do tempo. As duas nações poderiam ser vistas como simplesmente respondendo ao que elas entendem como o desenvolvimento clandestino, pelos EUA, de potenciais armas espaciais. De fato, os sistemas americanos de defesa de mísseis balísticos, seus aviões espaciais X-37B e até suas naves espaciais GSSAP, embora todos ostensivamente destinados a manter a paz, poderiam ser facilmente convertidos em armas de guerra espacial. Durante anos, a Rússia e a China vêm pressionando para a ratificação de um tratado legalmente vinculativo das Nações Unidas para banir armas espaciais; um tratado que autoridades americanas e especialistas externos têm rejeitado repetidamente como uma inviabilidade cínica.

“O esboço do tratado sino-russo visa proibir justamente as coisas que eles mesmos estão procurando desenvolver tão ativamente”, reclama Krepon. “Ele serve perfeitamente aos seus interesses. Eles querem liberdade de ação, e estão encobrindo isso com essa proposta para proibir armas espaciais”. Mesmo se o tratado estivesse sendo proposto de boa fé “ele estaria morto ao chegar” ao Congresso e não teria a menor chance de ser ratificado, salienta Krepon. Afinal, os EUA também querem liberdade de ação no espaço, e no espaço nenhum outro país tem mais capacidade e, portanto, mais a perder. De acordo com Rose, existem três problemas fundamentais com o tratado. “Um, ele não é efetivamente verificável, o que os russos e chineses admitem”, argumenta. “Você não consegue detectar trapaça. Dois, ele é totalmente silencioso (omisso) sobre a questão das armas terrestres antissatélites, como as que a China testou em 2007 e novamente em julho de 2014. E, terceiro, ele não define o que é uma arma no espaço exterior”.

Como alternativa, os EUA apoiam uma iniciativa liderada pela Europa para estabelecer “normas” para uma conduta adequada através da criação de um Código Internacional de Conduta para o Espaço Exterior, voluntário. Este seria um primeiro passo, a ser seguido por um acordo vinculativo. Um esboço dessa proposta, que Rússia e China impediram de ser adotada nas discussões de julho na ONU, exige maior transparência e “construção de confiança” entre nações com capacidade espacial como um meio de promover a “exploração e o uso pacífico do espaço exterior”. Espera-se que isso possa impedir a geração de mais detritos e o contínuo desenvolvimento de armas espaciais. No entanto, como o tratado russo-chinês, esse código também não define exatamente o que constitui uma “arma espacial”.

Essa imprecisão representa problemas para altas autoridades da defesa, como o general John Hyten, chefe do Comando Espacial da Força Aérea dos EUA. “Nosso sistema de vigilância baseado no espaço, que olha para os céus e monitora tudo na órbita geossincrônica, é um sistema de armas?”, pergunta ele. “Creio que todos no mundo olhariam para isso e diriam não. Mas ele é manobrável, viaja a mais de 27.350 km por hora, e tem um sensor a bordo. Não é uma arma, certo? Mas a linguagem [de um tratado] proibiria a nossa capacidade de realizar uma vigilância baseada no espaço? Eu espero que não!”

Guerra no espaço é inevitável?

Enquanto isso, mudanças na política dos EUA estão dando à China e à Rússia mais razões para novas suspeitas. O Congresso tem pressionado a comunidade de segurança nacional dos EUA a voltar suas atenções para o papel das capacidades ofensivas, em vez das defensivas, chegando até a impor que a maior parte do financiamento do ano fiscal de 2015 para o Programa Segurança e Defesa Espacial, do Pentágono, seja destinada ao “desenvolvimento de estratégias e capacidades ofensivas de controle e defesa ativa do espaço”. “Controle espacial ofensivo” é uma clara referência a armas. “Defesa ativa” é uma expressão muito mais nebulosa e se refere a medidas indefinidas de retaliação ofensiva que poderiam ser tomadas contra um atacante, ampliando ainda mais os caminhos através dos quais o espaço pode se tornar um ambiente equipado com armas.

Se uma ameaça iminente for percebida, um satélite ou seus operadores poderiam desfechar um ataque por meios de lasers ofuscantes, micro-ondas de interferência, bombardeio cinético, ou diversos outros métodos possíveis. “Espero nunca travar uma guerra no espaço”, diz Hyten. “Isso é ruim para o mundo. A cinética [armamentos antissatélites] é horrível para o mundo”, devido aos riscos existenciais que os detritos representam para todos os satélites. “Mas se a guerra se estender ao espaço”, argumenta ele, “precisamos ter capacidades ofensivas e defensivas com que responder, e o Congresso nos pediu que explorássemos que capacidades seriam estas. E, para mim, o único fator limitante é ‘nada de detritos’. Não importa o que faça, não crie detritos”.

Uma tecnologia para bloquear ou interferir em transmissões, por exemplo, parece sustentar o Counter Communications System (CCS), o sistema de interferência ofensiva em comunicações da Força Aérea, a única capacidade ofensiva americana reconhecida contra satélites no espaço. “Basicamente o CCS é uma grande antena sobre um trailer, e ninguém sabe como ele realmente funciona, o que de fato faz”, informa Weeden, salientando que, como a maior parte das atividades (trabalhos) espaciais, os detalhes do sistema são ultrassecretos. “Tudo o que sabemos essencialmente é que eles poderiam usá-lo de para interferir ou bloquear de alguma forma satélites de um adversário ou talvez até enganar ou hackear os instrumentos”.

Para Krepon, os debates sobre as definições de armas espaciais e a agressiva exibição de poder militar entre Rússia China e Estados Unidos estão atrapalhando e eclipsando a questão mais premente dos detritos espaciais. “Todo mundo está falando sobre objetos intencionais, feitos pelo homem, destinados a travar guerras no espaço, e é como se estivéssemos de volta na Guerra Fria”, compara. “Enquanto isso, já há cerca de 20 mil armas lá em cima em forma de detritos. Eles não têm nenhum propósito, e não são guiados. Eles não estão procurando detectar satélites inimigos. Eles só estão zanzando por lá, fazendo o que fazem”. O ambiente espacial, salienta, precisa ser protegido como um bem comum global, como os oceanos e a atmosfera da Terra.

Lixo espacial é muito fácil de ser produzido e muito difícil de ser eliminado; por essa razão, os esforços internacionais deveriam se concentrar na prevenção de sua criação. Além da ameaça de destruição deliberada, o risco de colisões acidentais e impactos de detritos continuará aumentando à medida que mais nações lançam e operam mais satélites sem uma rigorosa responsabilização e supervisão internacional. E, à medida que a chance de acidentes aumenta, o mesmo acontece com a possibilidade de eles serem mal interpretados como ações deliberadas e hostis na tensa intriga melodramática dessa intensa competição militar no espaço. “Estamos no processo de sujar e estragar o espaço, e a maioria das pessoas não se dá conta disso porque não podemos vê-lo como vemos o abate de peixes marinhos, florações enormes de algas, ou os efeitos da chuva ácida”, adverte ele.

“Para evitar poluir e destruir a órbita terrestre, precisamos de um senso de urgência que atualmente ninguém tem. Talvez possamos senti-lo quando não conseguirmos usar nossa televisão por satélite ou nossas telecomunicações, ou acessar noticiários sobre o clima global e previsões de furacões. Quando formos catapultados de volta às condições da década de 50, talvez possamos adquiri-lo. Mas então será tarde demais”.

Sabrina Imbler contribuiu para a reportagem.

Publicado em Scientific American em 10 de agosto de 2015

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Sonda New Horizons, da Nasa, atinge ponto mais próximo de Plutão

Feito inédito foi nesta terça; equipamento ficou a 12,5 mil km do planeta anão. Dados coletados devem ser transmitidos para a Terra somente de noite.

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A sonda espacial New Horizons finalmente chegou ao ponto mais próximo de Plutão na manhã desta terça-feira (14), de acordo com a agência espacial americana (Nasa), responsável pela missão. Depois de viajar por nove anos e quase 5 bilhões de quilômetros (que é a distância entre Plutão e a Terra), o equipamento conseguiu ficar a 12.500 km do planeta anão – o ponto mais próximo que o equipamento conseguiria alcançar. Tal fato vai colaborar com a ciência para analisar mais detalhes sobre a superfície e a temperatura de Plutão e de sua região, chamada de Cinturão de Kuiper. Às 8h50, horário de Brasília, o relógio com a contagem regressiva da Nasa zerou, o que, de acordo com os especialistas, era um indicativo de que a sonda teria feito a aproximação prevista.

Cientistas presentes na sede da Nasa comemoraram no momento em que a contagem regressiva acabou. A maioria vibrava e balançava pequenas bandeiras dos EUA. O astrônomo Cássio Barbosa, blogueiro do G1, explica que nenhum dado deve ser transmitido nesta manhã, já que a New Horizons precisa estar silenciosa para captar o máximo de informações sobre Plutão e sua maior lua, Caronte. Segundo ele, só por volta das 22h desta terça é que a sonda “deve ligar para casa”. “Vai ser uma breve comunicação da situação da nave, literalmente para dizer que a nave está viva, que ela sobreviveu à passagem tão próxima de Plutão e Caronte”, explicou Barbosa em post do blog “Observatório”.

A informação foi confirmada pelo chefe da missão New Horizons, Alan Stern. “Fique ligado. Por volta das 21h [22h, hora de Brasília] vamos saber se ela [a sonda] sobreviveu ao sistema de Plutão. Mas é sempre bom um pequeno drama, já que é uma exploração verdadeira”, disse ele, que agradeceu a ajuda de sua equipe em uma coletiva de imprensa. O motivo da preocupação é que na região há muitos meteoroides e destroços da formação do Sistema de luas de Plutão. Essas “pedras no caminho” podem colidir com a sonda e destruí-la. Segundo a Nasa, a chance de impacto é de 1 em 10 mil, considerada alta.

As informações principais, incluindo fotos de altíssima resolução, serão enviadas na quarta-feira (15), durante uma transmissão de dados mais longa.

Trajetória

A sonda foi lançada em 2006, dos Estados Unidos, a bordo do foguete Atlas. Ela viajou até Júpiter e usou a gravidade desse planeta como um estilingue para acelerar sua velocidade. Desde então, a sonda ficou adormecida e viajou pelo espaço até ser reativada, em dezembro do ano passado. Sete instrumentos que estão a bordo da sonda vão captar essas imagens, que serão transmitidas para a Terra. O tempo de transmissão dos dados de Plutão até a Nasa, nos Estados Unidos, é de quatro horas e meia. A New Horizons viaja pelo espaço carregando as cinzas do cientista Clyde Tombaugh, que descobriu Plutão em 1930, além de outros itens, como duas bandeiras americanas.

plui  Imagem divulgada por volta das 8h desta terça mostra uma nova foto colorida de Plutão capturada pela New Horizons nesta segunda-feira (13), 16 horas antes da aproximação.

Nesta segunda (13), os cientistas divulgaram que o planeta anão é maior do que se previa. Plutão, antes considerado o nono e mais distante planeta do Sistema Solar, tem um diâmetro de cerca de 2.370 quilômetros, cerca de 80 quilômetros a mais do que previsões anteriores. Agora ele é oficialmente maior do que Eris, um dos centenas de milhares de miniplanetas e objetos parecidos com cometas que circulam o Cinturão de Kuiper. Segundo a agência Reuters, ser um pouco maior significa que Plutão consiste significativamente de mais gelo e um pouco menos de água do que o previsto, um detalhe importante para cientistas determinarem a história de como ele e o resto do Sistema Solar foram formados.

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Monte Everest se move três centímetros após terremoto

O tremor de magnitude 7,8 que atingiu o Nepal em abril alterou a montanha mais alta do mundo levemente para o sudoeste

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A incrível energia liberada pelo terremoto de magnitude 7,8 que atingiu o Nepal em 25 de abril moveu o Monte Everest mais de uma polegada. A montanha mais alta do mundo foi movida três centímetros para o sudoeste durante o tremor, de acordo com o jornal estatal China Daily, que citou um novo relatório da Administração Nacional Chinesa para Pesquisas, Mapeamento e Geoinformações. A mudança foi um pequeno recuo para a montanha, que está avançando lentamente em direção nordeste a uma taxa de aproximadamente 4cm por ano, relatou a agência. A montanha também se eleva 0,3cm todos os anos. Esse movimento é provocado pela lenta colisão entre as placas tectônicas da Índia e da Eurásia, que empurra o chão para cima.

Mas o movimento do Everest durante o tremor foi pouco se comparado à mudança nas regiões ao redor de Kathmandu, a capital do Nepal durante o tremor. “O Everest é como uma distração da coisa toda”, declara Richard Briggs, geólogo do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, em inglês) em Golden, no Colorado.

 

Grande movimento

Perto de Katmandu, o tremor elevou o solo cerca de um metro, de acordo com dados preliminares do satélite radar europeu Sentinel-1A. Danos do tremor cobriram mais de 14 mil quilômetros quadrados. Mais de oito mil pessoas morreram. O terremoto deformou o solo em uma espécie de vergão, contou Briggs à Live Science. Áreas acima dessa falha, onde o estresse da colisão continental finalmente cedeu, se elevaram. Isso aconteceu, por exemplo, em Kathmandu. Enquanto isso, mais ao norte, atrás da falha, o chão abruptamente caiu. “O Everest fica muito longe desse possível declive”, observa Briggs. Dados preliminares de satélite do Sentinel-1A sugeriam que a montanha tivesse caído 2,5 cm durante o tremor, mas a agência chinesa não relatou perda de altura. Briggs aponta que, além do Everest, os Himalaias foram inegavelmente afetados: cerca de 60km da cadeia de montanhas ao norte de Kathmandu caíram significativamente.

“Os elementos que se moveram dessa vez ficavam mais perto de Kathmandu”, explica Briggs. “E esses picos, que são apenas um pouco menores que o Everest, se moveram mais de meio metro”.

 

Região ativa

Um tremor secundário de magnitude 7,3 sacudiu a região em 12 de maio, provocando novos deslizamentos de terra e matando dezenas de pessoas. Esse tremor não alterou o Everest, de acordo com a agência chinesa de mapeamento. De acordo com o USGS, centenas de tremores menores continuaram a afetar a região. Os tremores no Nepal não são incomuns, geologicamente falando. De acordo com o USGS, a placa indiana está se afundando contra a placa da Eurásia a uma taxa de 45 milímetros ao ano. A placa indiana desliza sob a placa da Eurásia a um ângulo bem raso, explica Briggs. O arranjo é semelhante às zonas submarinas de subdução perto do Alasca e do Japão, onde uma placa continental entra embaixo da outra. Lições dessas regiões, além de evidências geológicas de tremores anteriores nos Himalaias, revelam que a falha é capaz de tremores maiores que a magnitude 7,8, observa Briggs.

É impossível, porém, prever quando um terremoto desse tipo poderá ocorrer, ou se o tremor de abril influenciou as chances um tremor posterior. “O movimento nesta falha terá afetado falhas adjacentes, e algumas delas ficarão mais próximas de provocar um tremor, enquanto outras ficarão mais distantes”, explica Briggs. “O problema que temos é a parte do tempo. Não sabemos como está o ‘relógio’ de cada uma dessas falhas e o quanto elas já estavam próximas de inicar tremores de qualquer forma”.

Para complicar esse jogo de adivinhação, ainda existe uma ausência de evidências geológicas. O tipo de terremoto que sacudiu o Nepal não deixa necessariamente um traço forte no registro geológico, aponta Briggs. Imagine uma mão empurrando uma régua de metal até que o instrumento se dobre. Quando a régua finalmente salta de volta contra a pressão, como fez a placa da Eursária contra a pressão da placa indiana, ela muda de forma. Mas a pressão geral da mão (ou da placa indiana, nesse caso) continua, deformando a régua de volta para sua forma arqueada.

“Kathmandu vai descer, e vai se mover de volta na direção da Ásia, e a região dos Himalaias vai se elevar de novo”, explica Briggs. As mudanças na Terra são elásticas, observa ele, e “a maior parte delas se cancela entre grandes terremotos”. O tremor também foi algo conhecido como uma “ruptura cega”, o que significa que não há linha de falha visível ou rachadura na superfície. Isso torna mais difícil ver quantas vezes um terremoto desses já aconteceu no passado, e qual a probabilidade de acontecer de novo.

 

Fonte: Scientific American Brasil

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Antimatéria bruta encontrada em nuvens de tempestade

Aeronave detecta sinal irreconhecível de antipartículas

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Quando o avião de Joseph Dwyer fez uma curva errada e entrou em uma nuvem de tempestade, o erro valeu a pena: esse físico atmosférico atravessou não apenas uma tempestade assustadora mas também uma névoa inesperada – e misteriosa – de antimatéria. Ainda que tempestades poderosas sejam conhecidas por produzirem pósitrons – a versão de antimatéria dos eléctrons – a antimatéria observada por Dwyer e sua equipe não pode ser explicada por nenhum processo conhecido, explica ele. “Isso foi tão estranho que nos debruçamos sobre essa observação durante vários dias”, conta Dwyer, que atualmente está na University of New Hampshire, em Durham. O voo ocorreu há seis anos, mas só agora a equipe está relatando o resultado (J. R. Dwyer et al. J. Plasma Phys.; no prelo). “A observação é um quebra-cabeça”, declara Michael Briggs, físico da Centro Marshall de Voos Espaciais da Nasa em Huntsville, Alabama, que não se envolveu no relatório. Uma das principais características da antimatéria é que, quando faz contato com sua contraparte de matéria comum, ambas são instantaneamente transformadas em outras partículas em um processo conhecido como “aniquilação”. Isso torna a antimatéria excessivamente rara. No entanto, há muito se sabe que pósitrons são produzidos pelo decaimento de átomos radioativos e por fenômenos astrofísicos, como raios cósmicos atravessando a atmosfera a partir do espaço sideral. Na última década, pesquisas realizadas por Dwyer e outros cientistas mostraram que tempestades também produzem pósitrons, além de fótons altamente energéticos, ou raios-γ.

Foi para estudar esses raios-γ atmosféricos que Dwyer, então no Instituto de Tecnologia da Flórida, em Melbourne, instalou um detector de partículas em um Gulfstream V, um tipo de avião a jato normalmente usado por executivos de negócios. Em 21 de agosto de 2009, os pilotos se viraram na direção do que parecia, com base em seu perfil de radar, ser o litoral da Georgia. “Em vez disso, era uma linha de tempestades de relâmpagos – e estávamos voando bem no meio dela”, lembra Dwyer. O avião sacudia violentamente para a frente e para trás e repentinamente começou a mergulhar. “Eu realmente achei que fosse morrer”. Durante esses minutos assustadores, o detector registrou três picos em raios-γ a uma energia de 511quiloelétronvolts, a assinatura de um pósitron sendo aniquilado contra um elétron. De acordo com Dwyer e seus colaboradores, cada pico de raios-γ durou cerca de um-quinto de segundo e foi acompanhado por alguns raios-γ de energia levemente menor. A equipe concluiu que esses raios-γ tinham perdido energia como resultado de deslocamento de alguma distância e calcularam que uma breve nuvem de pósitrons, com ou 1 ou 2 quilômetros de comprimento, havia envolvido a aeronave. Mas deduzir o que poderia ter produzido uma nuvem assim se provou um desafio. “Nós ficamos cinco anos tentando modelar a produção dos pósitrons”, declara Dwyer.

Elétrons descarregados por nuvens carregadas chegam quase à velocidade da luz, e podem produzir raios-γ altamente energéticos, que por sua vez podem gerar um par elétron-pósitron quando atingem um núcleo atômico. Mas a equipe não detectou raios-γ o bastante com energia suficiente para fazer isso. Outra possível explicação é que os pósitrons se originaram a partir de raios cósmicos, partículas do espaço sideral que colidem com átomos na atmosfera superior para produzir chuvas de partículas altamente energéticas, incluindo raios-γ. “Sempre existe uma espécie de garoa de pósitrons”, explica Dwyer. Em princípio, poderia haver algum mecanismo que manobrasse os pósitrons na direção do avião, observa ele. Mas o movimento de pósitrons teria criado outros tipos de radiação, que a equipe não viu. Os dados da equipe são uma “assinatura em ferro fundido” de pósitrons, declara Jasper Kirkby, físico de partículas que dirige um experimento investigando uma possível ligação entre raios cósmicos e a formação de nuvens. Kirkby trabalha no CERN, o laboratório de física de partículas perto de Genebra, na Suíça. Mas “a interpretação precisa ser refinada”. Em particular, de acordo com ele, a estimativa da equipe para o tamanho da nuvem de pósitrons não é convincente.

Se Kirkby estiver certo e a nuvem for menor que a estimativa de Dwyer, isso poderia implicar que os pósitrons só estavam se aniquilando na vizinhança imediata da aeronave, ou até mesmo na própria aeronave. As asas poderiam ter ficado carregadas, produzindo campos elétricos extremamente intensos ao seu redor e iniciando a produção de pósitrons, explica Aleksandr Gurevich, físico atmosférico do Instituto Físico Lebedev, em Moscou. Para responder essas e outras perguntas, Dwyer precisa de dados coletados no interior de nuvens de tempestade. Para esse fim, ele e outros pesquisadores estão enviando balões diretamente para as tempestades mais violentas, e a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos até planeja enviar um detector de partículas em um A-10 ‘Warthog’ – um avião blindado anti-tanque que poderia suportar o ambiente extremo. “O interior de nuvens de tempestade é como uma paisagem bizarra que mal começamos a explorar”, conclui Dwyer.

 

Fonte: Scientific American Brasil

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Alasca entra em nova era de incêndios florestais

O estado americano esquentou duas vezes mais rápido que o resto do país nas últimas décadas

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O Alasca, a grande fronteira setentrional dos Estados Unidos, está sendo remodelado por mudanças climáticas. Enquanto a elevação das temperaturas altera seu caráter e sua paisagem, o aquecimento também traz a devastação de incêndios florestais. Nos últimos 60 anos, o estado norte-americano esquentou mais de duas vezes mais rápido que o resto do país, registrando um aumento médio de temperatura de quase 1,5ºC. Até 2050, as temperaturas deverão subir entre 2ºC e 4ºC adicionais, de acordo com as projeções, sendo que a região do Ártico deverá ter os aumentos mais dramáticos. Essas elevações também devem aumentar os riscos incêndios florestais no Alasca, assim como tem ocorrido no restante do oeste dos EUA.

Esses incêndios têm aumentado em toda a região ocidental dos Estados Unidos desde a década de 70. Paralelamente, as temperaturas de primavera e verão também aumentaram acentuadamente e a camada média de neve na primavera diminuiu substancialmente. Incêndios no Alasca não costumam fazer notícias nos 48 “estados mais baixos” da área continental dos EUA, mas eles ameaçam vastas expansões de florestas, parques, e tundras, que armazenam imensas quantidades de carbono. O crescente número de incêndios florestais de grandes proporções no estado tem o potencial de danificar esses ecossistemas, assim como as pessoas e a vida selvagem que dependem deles, ao lançar uma quantidade significativa de carbono na atmosfera, contribuindo ainda mais para o aquecimento global. Além disso, as emissões desses fogos descontrolados sobre essas vastas áreas também ameaçam a qualidade do ar no Alasca e muito além de suas fronteiras.

Nossa análise de 65 anos de incêndios florestais no Alasca mostra que:

O número de incêndios florestais de grandes proporções (maiores que 404,68 hectares) aumentou subitamente nas décadas de 90; e os anos 2000 viram quase o dobro desses grandes incêndios em relação às décadas de 50 e 60. Na região do Ártico, o número desses incêndios cresceu quase dez vezes nos anos 2000 em comparação com os anos 50 e 60. Somente três anos dessas duas décadas de registraram grandes incêndios; mas desde o ano 2000, o Ártico foi atingido por 33 grandes destruições desse tipo. A área queimada todos os anos nesses grandes incêndios florestais está aumentando. Em apenas dois anos, 2004 e 2005, as chamas destruíram uma área maior que nos 15 anos de 1950 a 1964 combinados. Além disso, houve um drástico aumento em particular de incêndios que se alastraram por mais de 4.046,85 hectares, mas menos que 20.234,28 hectares. A temporada de incêndios florestais no Alasca hoje é cerca de 40% mais longa que era na década de 50. As primeiras queimadas naturais começam mais cedo no ano e as últimas ardem até mais tarde no outono. Em termos gerais, a estação de incêndios aumentou em mais de 35 dias e agora dura mais de três meses, estendendo-se de maio até o início de agosto. O aumento das temperaturas no Alasca tem coincidido com a elevação do número e da dimensão dos incêndios florestais no estado. Anos com os meses mais quentes de maio a julho também tendem a ser os que têm a maior incidência de incêndios e a maior área incinerada. De acordo com projeções da Avaliação Nacional do Clima (NCA) [programa do governo estabelecido pela Lei de Pesquisa de Mudanças Globais de 1990], a quantidade da área queimada em incêndios naturais no Alasca deverá dobrar até 2050 e triplicar até 2100 em condições de contínuas emissões e mais aquecimento.

Publicado em Scientific American em 24 de junho de 2015.

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Via Láctea pertence a Superaglomerado Super Gigante

De acordo com uma equipe de astrônomos, o super aglomerado de galáxias que inclui a Via Láctea é 100 vezes maior em volume e massa do que se pensava anteriormente. Eles mapearam essa imensa região e a batizaram de Laniakea – palavra havaiana que significa “paraíso imensurável”.

 

Galáxias tendem a ficar em grupos chamados de aglomerados; regiões em que esses aglomerados ficam em agrupamentos densos são chamadas de super aglomerados. Mas a definição dessas massivas estruturas cósmicas é vaga.

 

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Estudo conduzido por Brent Tully, astrônomo da University of Hwaii em Honolulu, registrou os movimentos de galáxias para inferir a distribuição gravitacional do Universo local e redesenhar seu mapa.

 

O novo estudo, publicado na Nature, descreve uma nova maneira de definir onde um superaglomerado acaba e outro começa. Uma equipe conduzida por Brent Tully, astrônomo da University of Hwaii em Honolulu, registrou os movimentos de galáxias para inferir a distribuição gravitacional do Universo local e redesenhar seu mapa.

 

Velocidade Cósmica

 

A equipe usou uma base de dados que compila as velocidades de oito mil galáxias, calculadas após subtrair a taxa média da expansão cósmica. “Todos esses desvios se devem ao arrasto gravitacional que galáxias experimentam a seu redor, oriundo da massa”, explica Tully. Os pesquisadores usaram um algoritmo para traduzir essas velocidades em um campo tridimensional de fluxo e densidade galácticas. “Nós não podemos alegar ter compreensão da cosmologia se não conseguirmos explicar esse movimento”, reconhece Tully.

 

Esse método é mais sofisticado que simplesmente mapear a localização da matéria, porque permite que cientistas produzam um mapa de regiões não-mapeadas do Universo, observa Paulo Lopes, astrofísico do Observatório Valongo, parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O método detecta a influência das galáxias em vez de observá-las diretamente.

 

Além disso, os movimentos das galáxias refletem a distribuição de toda a matéria, não apenas daquela visível em nossos telescópios – incluindo a matéria escura.

 

Descontando a expansão cósmica, o mapa mostra linhas de fluxo em que galáxias sentem o efeito da gravidade em sua região local ( veja o vídeo abaixo). Com base nisso, a equipe define a fronteira de um superaglomerado como sendo a fronteira em que essas linhas de fluxo divergem. De um lado da linha, galáxias fluem na direção de um centro gravitacional; do outro lado, elas fluem na direção de outro. “É como a água se dividindo em uma cachoeira, onde ela flui para a direita ou para a esquerda de uma elevação no terreno”, compara Tully.

 

Fronteiras no Espaço

 

Essa é uma definição completamente nova para um superaglomerado. No passado, cientistas localizavam a Via Láctea no superaglomerado de Virgem mas, sob a definição de Tully e seus colegas, essa região se torna apenas um apêndice de Laniakea, que tem 160 milhões de parsecs (520 milhões de anos-luz) de diâmetro e contém a massa de 100 milhões de bilhões de Sóis.

 

É improvável, porém, que esse trabalho seja a palavra final na definição de superaglomerados, declara Gayoung Chon, astrônoma do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre em Garching, na Alemanha. Sua equipe trabalha em uma definição diferente, baseada em superaglomerados sendo estruturas que um dia colapsarão em um único objeto. Ela estima que isso não acontecerá com Laniakea, porque algumas de suas galáxias se afastarão umas das outras para sempre. “A definição usada realmente depende das questões que queremos responder. O método mais recente é uma ótima maneira de mapear as estruturas de grande escala do Universo, mas ele não pergunta o que acontecerá com esses superaglomerados no futuro”, aponta ela.

 

Lopes observa que, ainda que o mapa seja compreensivo para o Universo ao redor da Via Láctea, suas medidas se tornam menos precisas, e menos numerosas, com a distância. Ele adiciona que, atualmente, essa é a maior possível fonte de erros da técnica, mas a adição de mais medidas galácticas otimizará o mapa e poderia ajudar cientistas a rastrear totalmente o que está por trás do movimento de nosso grupo local de galáxias.

 

Este artigo foi reproduzido com permissão e foi publicado pela primeira vez em 3 de setembro.
Sciam4set2014

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A explosão solar de 11 de março

a_explosao_solar_de_11_de_marco_1__2015-04-01174231No dia 11 de março, o Sol produziu a primeira explosão classe X de 2015

Vivemos a apenas 150 milhões de quilômetros de um enorme reator de fusão. É fácil ignorar esse fato, já que o Sol está apenas na metade de sua longa jornada de conversão de prótons em núcleos de hélio nas profundezas de seu interior. Sua aposentadoria ainda está alguns bilhões de anos no futuro.

Ocasionalmente, porém, nossa estrela mais próxima pode nos lembrar de que é grande, poderosa, e um pouco problemática.

No dia 11 de março de 2015, o Sol produziu a primeira explosão solar da classe X deste ano – lançando um pouco de energia de partículas em nossa ionosfera e desligando alguns rádios durante um tempo.

Levando tudo em conta, foi uma explosão bem tranquila, mas o Observatório de Dinâmica Solar, da Nasa – estacionado em sua órbita geossíncrona – capturou imagens impressionantes da explosão na extremidade ultravioleta do espectro magnético. Para colocar as coisas em perspectiva, a primeira imagem (combinando duas bandas espectrais a 171 e 131 Angstroms) mostra a escala da Terra em relação ao Sol. A origem da explosão é o brilho branco-azulado. Esse é um evento X2.2 – bem grande.

A ilustração acima mostra uma imagem bem simples da fotosfera solar em luz visível – o Sol está bem uniforme, exceto pela mancha no local da explosão.

Fonte: Scientific American

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Nasa testa foguete mais poderoso da história para levar missão a Marte

A Nasa realizou nesta quarta-feira (11) um primeiro teste em solo de um foguete auxiliar destinado a equipar o futuro veículo de lançamento de carga pesada da agência espacial norte-americana, o “Space Launch System” (SLS), que será utilizado para cumprir a meta de viajar até Marte.

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“Teste fantástico, resultado fantástico”, comemorou Alex Priskos, um dos encarregados do sistema de propulsão dos ônibus espaciais da Nasa.

Preso horizontalmente ao solo na base de uma montanha em Utah, o foguete auxiliar de 54 metros de comprimento funcionou como previsto, após ser aquecido durante dois minutos para testar o desempenho do sistema quando for eventualmente lançado.

Mais de 500 sensores registraram os dados emitidos, que serão analisados nos próximos meses. O arranque do motor do foguete foi feito a uma temperatura ambiente elevada para simular um lançamento no verão, quando a atmosfera supera os 35° C. Outro teste está previsto para o início de 2016, com temperaturas muito frias, no intuito de simular um lançamento no inverno.

O futuro veículo de lançamento de carga pesada da Nasa será equipado por estes dois foguetes de reforço para a decolagem, que são versões modernizadas e mais potentes que as usadas para o ônibus espacial.

Eles permitirão dispor de 75% da força propulsora do SLS durante os dois primeiros minutos do lançamento. O restante será garantido pelos quatro motores criogênicos RS-25 do lançador, que provêm também do ônibus. O último ônibus espacial voou em julho de 2011.

O SLS realizará seu primeiro voo de testes em 2018 e lançará na ocasião a cápsula Orion. No futuro, esta cápsula transportará dois astronautas norte-americanos para as missões ao redor da Lua, de um asteroide e, no longo prazo, até Marte, possivelmente em 2030.

A cápsula Orion realizou seu primeiro voo-teste sem astronautas em dezembro de 2014, quando deu voltas ao redor da Terra para testar seu escudo térmico ao voltar para a atmosfera.

 

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Lopsided Cloud of Dust Discovered Around the Moon

Lopsided Cloud of Dust Discovered Around the Moon Passing comets kick up the dust, new data suggest, deepening a mystery posed by the first lunar astronauts.

01lunardust.adapt.1190.1Apollo astronauts attempting to observe a faint glow produced by interstellar dust (shown above, in an image from the Clementine spacecraft) also saw mysterious streamers of light on the moon’s horizon.

A persistent, lopsided cloud of dust is hanging around our moon, scientists have discovered. While any sort of cloud hovering around an airless body is strange enough, the culprits creating that dusty moon-shroud are even more exotic: passing comets. As they zoom through our solar system, comets shed small particles that eventually smash into the moon, temporarily catapulting dust from the lunar surface into space, the researchers report Wednesday in Nature. “We continue to learn new surprises about our nearest neighbor in space,” says Richard Vondrak of NASA’s Goddard Spaceflight Center. “Previously, asteroidal particles were expected to be the main external source of orbital dust, with dust lofted from the lunar surface by electrical fields also suspected to be another important source.” Dust collector The new observations suggest that on average, 120 kilograms of dust hover above the moon at any given time. Those particles are launched into the moon’s sky and stay aloft for about 10 minutes, taking half that time to rise as much as 100 kilometers above the surface, and the rest to gently fall back down.

02lunardust.adapt.1190.1A lopsided cloud of dust is continually present around the moon. Colors in this illustration of the cloud correspond to dust quantities. The gray circles represent impactor particle trajectories and the LADEE spacecraft’s orbit.

To collect those data, the LDEX instrument aboard NASA’s LADEE spacecraft acted as a dust-catcher while it flew between altitudes of 20 and 100 kilometers for six months. “About 100 tons of cosmic dust comes into the Earth’s atmosphere every day,” says study author Mihály Horányi of the University of Colorado, Boulder. “If I scale that to the moon, it would be about five tons of cosmic dust hitting its surface.” LDEX detected an average of a single, 0.3-micrometer moondust particle each minute—until the Geminid, Quadrantid, Northern Taurid, and Omicron Centaurid meteor showers swept by. Dust particle counts peaked during these meteor showers, which happen when the Earth (and moon) pass through clouds of cometary debris. The cloud is lopsided, thicker near the boundary between the moon’s dayside and its nightside. That suggests to Horanyi and his colleagues that comets are the predominant source of the cloud-creating impacts. While asteroids traveling through the solar system also shed dust, that dust tends to be on circular orbits that don’t produce as much oomph upon impact. Comets, on the other hand, zing through the solar system haphazardly, providing particles that really pack a punch. “That’s the stuff that is really running into the moon at very, very high speeds,” says LADEE project scientist Rick Elphic of NASA’s Ames Research Center. “Kind of like bugs on the windshield of a high-speed car traveling on the freeway.” History’s mysteries The observations both resolve and deepen a half-century-long moony mystery: In the 1960s, TV cameras aboard several of NASA’s moon-landing Surveyor spacecraft recorded a glow just above the moon’s horizon, just before sunrise. Later, several Apollo crews reported bright rays and glowing streamers, high above the lunar horizon—and also just before sunrise.

03lunardust.adapt.1190.1Lunar dust particles can be launched from the moon’s surface by colliding cometary debris. Over time, this kind of resurfacing process will erase Buzz Aldrin’s 1969 footprint.

At the time, astronauts thought they might be seeing sunlight scattering off dust in the moon’s sky, but it wasn’t clear how the dust could be suspended so high above an airless body. So, when the last set of humans pressed their boots into lunar dust in 1972, they also pressed a dust analyzer into the moon’s surface. That instrument detected a mighty increase in lunar dust particles whenevery time it straddled the moon’s dayside and its night side (a dividing line called the terminator). Back on Earth, scientists have spent the past four decades trying to figure out what those measurements mean. One popular hypothesis suggests that electrostatic forces on the moon’s surface occasionally become strong enough to overwhelm gravity and loft dust particles into space. Physics dictates that those charges should be strongest at the terminator. “We have found little or no evidence of this process to be at work—or at least, not at the altitude regions where we could make this measurement,” Horányi says. “There is plenty of room to have some funny business going on really close to the surface.” Instead, LADEE did find evidence for a high-altitude dust cloud, and other spacecraft have observed similar phenomena at the large moons of Jupiter. But the LADEE cloud isn’t thick enough to see. So, what were the glowing streamers that the Apollo astronauts saw? “We may never know until we send humans back to the moon,” Elphic says. Follow Nadia Drake on Twitter.

Source: http://news.nationalgeographic.com/2015/06/150617-moon-dust-cloud-comet-space/

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